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Andrew Watt sobre trabalhar com Paul McCartney: “Ele é como o Mozart”

Produtor elogiou o domínio musical do ex-Beatle durante as gravações de Boys of Dungeon Lane

O produtor Andrew Watt comparou Paul McCartney ao compositor clássico Wolfgang Amadeus Mozart ao falar sobre a experiência de trabalhar com o músico no álbum Boys of Dungeon Lane. Em entrevista ao programa Lipps Service, da revista SPIN, Watt destacou o domínio musical do ex-Beatle, sua habilidade para tocar diferentes instrumentos e a maneira como participa de todas as etapas da produção de uma gravação.

“Trabalhar com Paul McCartney neste álbum que fizemos foi simplesmente incrível. Ele tocou todos os instrumentos do álbum”, contou o jovem produtor. “Vê-lo se movimentando pelo estúdio é como ver o Mozart. Ele é o Mozart. Eu sempre digo que ele é como o Mozart e o Elton [John] é como o Beethoven“, contou Watt.

O produtor também descreveu a atenção de McCartney aos detalhes durante a execução dos instrumentos. Como exemplo, citou a maneira como o lendário músico toca bateria, alternando golpes fortes na caixa com toques leves nos pratos, uma escolha relacionada ao resultado sonoro da gravação.

“Ele toca todos os instrumentos, ele entende do assunto. Você o vê tocando bateria: ele bate forte na caixa, mas, na hora de tocar o prato, ele o atinge com a maior leveza que você já viu. Aí você pergunta: ‘Por que você está fazendo isso?’, e ele responde: ‘Porque, quando você comprime os microfones aéreos, o som fica melhor’.”

Para o produtor, a experiência de McCartney como músico de estúdio também se reflete em sua visão de produção e arranjo. Watt ressaltou o conhecimento do artista sobre as partes que deseja incluir em uma gravação, incluindo os vocais de apoio.

“É como se ele soubesse — pela quantidade de faixas de bateria que já gravou — que pensa como um produtor ao fazer música, a maneira como ele arranja os vocais de apoio e como conhece cada parte que quer incluir no disco… É por isso que ele não precisa de mais ninguém para tocar na gravação”, afirmou.

Apesar da admiração, Watt contou que precisou superar o receio de sugerir ideias durante o trabalho com um dos músicos mais influentes da história da música. Segundo ele, nem todas as propostas funcionavam, mas fazia parte do processo lidar com os resultados e seguir em frente.

“Existem certas pessoas com quem você pensa: ‘Não estou à altura, que tipo de conselho vou dar a elas sobre como compor músicas?’ Elas mesmas poderiam fazer isso, é claro, certo? Elas já fizeram álbuns que produziram por conta própria, mas, neste caso, estão optando por ter um produtor, não é?“, destacou.

Mais adiante, acrescentou:“Você sugere algo pensando: ‘talvez funcione, talvez não’. Aí a ideia é testada e, às vezes, fica horrível e você tem que lidar com isso: ‘não funcionou, acabei de sugerir ao Paul — Paul McCartney — algo terrível’. Você se sente estranho quando isso acontece, mas sacode a poeira e segue em frente.”

Sobre The Boys of Dungeon Lane

Lançado originalmente em maio, The Boys of Dungeon Lane foi o primeiro trabalho solo de inéditas de Paul McCartney desde McCartney III (2020) e o vigésimo registro solo do ex-Beatle. O álbum reúne faixas que abordam memórias de infância do cantor em Liverpool e o começo dos Beatles, incluindo os singles “Home to Us” (com participação de Ringo Star), “Days We Left Behind” e “Come Inside”.

Recentemente, foi lançada uma edição especial do álbum que apresenta as faixas adicionais:“City Fox”, “One Night Stand” e “Chelsea Boots”. Além disso, o repertório conta com a música “Home to Us – Flip Mix”, uma reinterpretação do dueto com Ringo Starr na qual a divisão de vozes original foi invertida, permitindo ouvir McCartney interpretando os trechos antes cantados por Starr.

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