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Resenha: Weezer volta a ser apenas Weezer em Gold Album

Warner Records Inc. (2026) - Nota: 4/5

Em 2023, o vocalista e guitarrista Rivers Cuomo desabafou, em uma entrevista, que sentia ter cometido um erro estratégico com o Weezer ao lançar tantos discos e músicas em um período relativamente curto. “Talvez a coisa toda fosse mais impactante se pudéssemos voltar no tempo e apenas lançar as melhores coisas”, afirmou.

O Weezer havia lançado, pouco tempo antes, nada menos que quatro EPs, totalizando 28 músicas disponibilizadas ao longo de apenas um ano. O excesso, porém, vinha de antes. O Weezer vinha de uma sequência quase ininterrupta de lançamentos, chegando a lançar até dois discos por ano: Black Album e Teal Album, em 2019, e Van Weezer e OK Human, em 2021.

Além do volume de músicas disponibilizadas, os trabalhos recentes do Weezer eram marcados por conceitos bastante distintos. OK Human apostou em instrumentos analógicos e arranjos orquestrais; Van Weezer foi uma homenagem ao rock dos anos 1980; enquanto a série de EPs SZNZ utilizou as estações do ano como metáforas sentimentais.

Essa variedade também revelou uma banda, em alguns momentos, aparentemente confusa em relação à própria identidade. Os resultados oscilaram entre o genial, o apenas regular e o facilmente esquecível.

Parece que a reflexão de Rivers surtiu efeito. O vocalista colocou o pé no freio, e o novo lançamento chega quatro anos depois. Gold Album surge, então, com um conceito não declarado: ser simplesmente um álbum do Weezer. Em vez de buscar uma nova persona ou explorar um conceito específico, o grupo parece interessado em recolocar sua identidade sonora no centro.

Para isso, o disco olha diretamente para os clássicos Blue Album e Pinkerton, provavelmente os trabalhos que melhor definiram aquilo que se convencionou chamar de “som do Weezer”.

A banda também evita a busca por músicas excessivamente pop, presente em diferentes momentos de sua discografia. O resultado é um álbum coeso, sem uma faixa com apelo radiofônico imediato. Aqui, a nostalgia funciona como fio condutor, não apenas na sonoridade, mas também nas letras e na maneira como Rivers revisita temas e sentimentos de diferentes fases da vida.

É também um dos trabalhos mais orgânicos do Weezer. Brian Bell e Patrick Wilson ganham maior espaço no processo criativo, assinando quatro músicas cada um. Wilson ainda compõe sozinho duas faixas: a contagiante“Shine Again”, primeiro single do álbum, e a nostalgica “Nowhere”. Bell, por sua vez, assina sozinho a intensa “The LA Sound”, que encerra o disco.

Em entrevista à Rolling Stone, Rivers explicou que queria justamente ampliar a colaboração com os companheiros de banda, diferentemente de trabalhos anteriores, que contavam com uma quantidade maior de compositores externos.

Entre os colaboradores externos está Karly Hartzman, da banda de country alternativo Wednesday, que coassina e participa da ótima“We Might as Well Be Strangers”.

Karly Hartzman divide os vocais com Rivers Cumo em “We Might as Well Be Strangers”.

Essa mudança de abordagem resulta em um álbum mais espontâneo, descontraído e menos preocupado com o mercado. É um bom conjunto de composições, embora nenhuma delas tenha força suficiente para se transformar imediatamente em um novo hino do Weezer.

Em Gold Album, a banda não parece interessada em criar uma nova “Buddy Holly” ou uma sequência de “Island in the Sun”. O mérito do trabalho está em recuperar uma banda que soa confortável dentro da própria pele.

Há bons refrões e melodias cativantes, mas sem a necessidade de transformá-los em grandes singles. As guitarras alternam entre distorções e timbres mais limpos, os arranjos são econômicos e melódicos, e a estética se aproxima mais do garage rock do que do power pop.

As letras também acompanham essa mudança. Rivers fala sobre nostalgia, frustrações, relacionamentos, envelhecimento e reflexões típicas da meia-idade. Há ainda espaço para o habitual humor metalinguístico do Weezer, que aparece em “C.E.O.”, faixa que faz referência direta a “Undone (The Sweater Song)”.

Coproduzido por Kenny Blume e Klas Åhlund, Gold Album é provavelmente o trabalho mais cru do Weezer em anos e talvez o que mais se aproxima da sonoridade dos anos 1990. Depois de anos tentando ser muitas coisas ao mesmo tempo, o Weezer parece ter descoberto que não precisa reinventar sua identidade. Basta apenas ser o Weezer.

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