Max Cavalera conversou com a Kerrang! sobre o Nailbomb, seu projeto de metal industrial criado em 1993 ao lado de Alex Newport, do Fudge Tunnel, e reativado no fim de 2024. A atual formação conta com Igor Amadeus Cavalera, filho de Max, e se prepara para uma turnê pelo Reino Unido.
Durante a entrevista, Max falou sobre Point Blank, álbum lançado em 1994 e, até hoje, único trabalho de estúdio do Nailbomb. Para Cavalera, o disco ocupa um lugar especial entre tudo o que já fez justamente por ter sido criado sem preocupação com a reação do público.
“É um dos meus discos favoritos que já fiz. Mas não nos importávamos se ninguém gostasse, o que é um estado de espírito raro quando se está gravando um disco. Normalmente, existe aquela sensação lá no fundo de que você espera que algumas pessoas gostem da música. Com o Nailbomb não havia nada disso — foi completamente egoísta. Eu e o Alex éramos punks totalmente egoístas.”
Disco do Nailbomb ainda soa atual
Segundo o músico, ele e Newport encararam o projeto de maneira deliberadamente descompromissada. A ideia era fazer um disco de punk misturado a metal industrial e hardcore, sem a expectativa de agradar ninguém. Cavalera compara aquela abordagem à maneira como eles imaginavam que Ministry e Nine Inch Nails deveriam soar.
O resultado foi um álbum agressivo e abertamente crítico. Cavalera descreve Point Blank como um disco de “foda-se tudo”, com diferentes alvos espalhados por suas músicas. Mais de 30 anos depois, ele acredita que algumas das faixas continuam particularmente relevantes diante do cenário atual.
“Point Blank foi um disco totalmente ‘foda-se tudo’, atirando em todas as direções, com alvos por toda parte. E ainda é completamente relevante hoje, provavelmente até mais do que nunca, por causa do estado do mundo, especialmente ‘24 Hour Bullshit’, ‘Cockroaches’ e ‘Wasting Away’. Essa foi uma das principais razões para trazer o Nailbomb de volta, além do fato de ser um disco tão bom”, disse o músico.
Max também comentou sobre a ausência de divulgação do álbum na época. Como o Sepultura estava trabalhando em Chaos A.D., lançado em 1993, Point Blank acabou dependendo principalmente do boca a boca entre os fãs.
“Sinto que é um disco muito frio que saiu no lugar certo e na hora certa. E nós realmente não precisamos fazer nada com ele, os fãs fizeram isso por nós. Não houve grande promoção porque [o Sepultura] estava fazendo [o quinto álbum] Chaos A.D. na época, então a promoção estava focada principalmente nele. Nailbomb passou despercebido.”
Capa de Point Blank assustou um mafioso
Cavalera também relembrou a controversa capa de Point Blank, que mostra uma mulher vietnamita com uma arma apontada para a cabeça. Segundo ele, a intenção dele e de Newport era encontrar uma imagem que fosse tão chocante quanto possível. “A foto que escolhemos era tão brutal e desoladora.”
O músico conta que posteriormente descobriu que a mulher retratada na fotografia havia sobrevivido e não chegou a ser baleada — informação que, segundo ele, fez com que se sentisse “um pouco melhor” em relação à utilização da imagem.
A escolha da capa também rendeu uma história curiosa envolvendo seu amigo Danny Marianino, vocalista do North Side Kings. De acordo com Cavalera, Marianino colocou um pôster do Nailbomb no quarto, mas seu pai, um mafioso italiano, não aprovou a decoração.
Ao chegar em casa e ver o pôster ao lado de imagens de Iron Maiden e Black Sabbath, ele teria ordenado que o filho retirasse a imagem do Nailbomb da parede: “Não, tira isso daí — esse não vai ficar na sua parede.”

