O Black Pantera levou protestos contra o racismo e a escala de trabalho 6×1 ao palco do Rock in Rio no sábado (5). Durante a apresentação no Palco Sunset, o trio se manifestou contra o racismo e defendeu o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso. O show também contou com a participação da banda Nervosa.
O posicionamento contra a escala 6×1 ocorreu durante “Tradução”, música que aborda a rotina de uma mãe que passa grande parte do tempo trabalhando. Antes de iniciar a faixa, o baixista e vocalista Chaene da Gama dedicou a canção à própria mãe, que estava na plateia. “Não sei onde você está, mãe, mas essa é pelo fim da escala 6×1, rapaziada.”
O racismo também foi abordado durante a apresentação. Na música “Fogo nos Racistas”, o vocalista e guitarrista Charles Gama convocou o público a formar uma roda punk e convocou com “intensidade e poder”:“Fogo nos racistas, fogo nos fascistas, fogo nos nazistas”. Durante o setlist, o Black Pantera manteve a tônica de contestação social com músicas como “Padrão é o Caralho” e “Hórus”.]
Black Pantera convida Nervosa
As integrantes da Nervosa — Prika Amaral, Helena Kotina, Emmelie Herwegh e Michaela Naydenova — subiram ao palco de forma gradual. Primeiro, a vocalista Prika Amaral cantou na música “Serotonina”, do novo álbum do Black Pantera. Na ocasião, Gama solicitou a abertura de rodas de mosh compostas apenas por mulheres.
Posteriormente, o quarteto feminino de thrash metal tocou sozinho as músicas “Ghost Notes” e “Slave Machine”, antes de receber Charles Gama para a execução de “Endless Ambition”. As duas bandas encerraram a apresentação juntas, homenageando a cantora Rita Lee com um cover de “Obrigado Não”.
Ao se despedir do público, Charles Gama enfatizou as mensagens apresentadas durante o show: “Muito obrigado. É sobre isso. Viva o underground nacional, vivam as mulheres brasileiras. Apoiem seus amigos, a ancestralidade, representatividade. Sejam antirracistas, sejam contra qualquer tipo de discriminação” (via O Dia)
Antes do show, o Black Pantera conversou com a Billboard Brasil e comentou sobre a oportunidade de tocar ao lado da Nervosa. “Poder ter esse espaço gigante do Rock in Rio e proporcionar música, tanto a nossa quanto a delas, é visceral e muito empolgante. A Nervosa já tem essa história dentro do metal brasileiro e a gente também está caminhando nesse sentido”, disse Charles.
Chaene, por sua vez, comentou a afinidade entre as duas bandas: “Acho que a gente se dá bem porque os dois discursos de certa forma caminham juntos. A Nervosa sempre teve um posicionamento nas questões feministas e o Black Pantera é uma banda antirracista.”

