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A opinião do cantor Nick Cave sobre a cultura do cancelamento

Cantor disse que gosta "do fato de que algumas músicas são controversas o suficiente para serem proibidas"

Nick Cave segue respondendo perguntas de fãs em seu blog Red Hand Files. Recentemente, ele falou sobre como a morte do filho afetou a sua forma de se relacionar com o mundo, agora, ele comentou sobre a cultura do cancelamento e o recém banimento do “Delilah”, de Tom Jones, das playlists da União Galesa de Rúgbi (WRU, na sigla em inglês) e das partidas internacionais de rúgbi no País de Gales, realizadas no Estádio do Principado, em Cardiff. 

A faixa de Tom Jones, lançada em 1986, traz o relato de um personagem homem que assassina a mulher a facadas por ciúmes. A letra tem sido considerada problemática por retratar uma situação de violência doméstica e feminicídio. Diante das críticas,  a União Galesa de Rúgbi decidiu bani-la. “O WRU condena a violência doméstica de qualquer tipo. Anteriormente, buscamos conselhos de especialistas no assunto sobre a questão de censurar a música e estamos respeitosamente cientes de que é problemático e perturbador para alguns apoiadores por causa de seu assunto”, diz o comunicado da instituição (via Classic Rock).

Um fã de Nick Cave quis saber a opinião do cantor sobre o fato. Dylan, de Swansea, cidade localizada no País de Gales, questionou: “Como você se sente sobre a proibição da música ‘Delilah’ cantada por coros galeses no Rúgbi? Como alguém que escreveu muitas baladas de assassinato, você acha que esse tipo de música transforma as pessoas em assassinos?”. 

Cave inicia sua resposta em tom de ironia: “Acabei de entrar na Internet e encontrei um coro masculino galês cantando sua versão de ‘Delilah’ e lamento informar que ouvir esta versão da música me deu vontade de assassinar alguém, principalmente o coro masculino galês.”

Na sequência, ele explica que gosta de Tom Jones tendo, inclusive, já regravado uma de suas músicas (‘Weeping Annaleah’, presente no álbum “Kicking Against the Pricks”, de 1986), mas que, de acordo com ele, “Delilah” não é uma música digna de notoriedade. “’Delilah’, apesar do fato de ter sido premiada com o Ivor Novello em 1968, é uma merda. Como alguém que sabe uma ou duas coisas sobre baladas de assassinato, para o meu gosto, é muito valsado e estridente e hammy e mariachi e triunfante. E as palavras são feias – ‘Eu senti a faca na minha mão e ela não riu mais’.”, explica.

Na sequência ele argumenta que a proibição é algo honroso para ele, embora reconheça o princípio envolvimento na ação: “Não posso ficar muito animado com o fato de ‘Delilah’ ter sido banido. Eu entendo que há um princípio aqui, mas em algum nível eu gosto do fato de que algumas músicas são controversas o suficiente para serem proibidas. Enche-me de uma espécie de orgulho profissional fazer parte do negócio às vezes contencioso da composição. É legal. Eu gosto disso. Eu só queria que fosse uma música mais digna de receber a maior das honras, na verdade o privilégio supremo, de ser banido.

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