A promotora brasileira 30e divulgou hoje um acordo de longo prazo com o Faith No More, posicionando a empresa como hub estratégico e operacional para as futuras turnês globais da banda.
A escolha de uma empresa latino-americana como hub global de turnês para uma banda anglo-americana ainda é uma exceção no mercado de entretenimento ao vivo, historicamente centrado nos Estados Unidos e na Europa. A agência WME, que representa o Faith No More mundialmente, foi apontada pela 30e como peça fundamental para a concretização do acordo.
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“A 30e é uma empresa que quer romper com o status quo, e como artistas entendemos o valor disso”, disse a banda em comunicado. “A abordagem deles não parece a engrenagem de sempre; parece vir de um lugar diferente, com um tipo diferente de energia e estamos dispostos a apoiar esse movimento.”
O CEO da 30e, Pepeu Correa, declarou que o Faith No More “sempre foi sinônimo de ruptura” e que o acordo busca construir “uma plataforma de experiências globais que respeite o DNA transgressor da banda”.
Tim Moss, empresário do grupo, afirmou que a parceria faz sentido justamente porque a 30e traz “uma perspectiva nova, profundidade estratégica real e uma ambição global que se alinha à visão da banda. O mais importante é que eles entendem como construir algo relevante em torno do Faith No More sem comprometer aquilo que torna a banda única.”
O acordo prevê que a 30e utilize seus dados de mercado, infraestrutura e marketing para planejar as próximas empreitadas do grupo, enquanto a banda mantém autonomia criativa e controle sobre seu legado.
A 30e havia firmado um acordo similar com o System of a Down no início deste ano, após uma bem-sucedida turnê de estádios pela América do Sul em 2025 que movimentou US$ 51,95 milhões em nove shows.
O histórico recente do Faith No More
O anúncio é o sinal mais concreto de um retorno do Faith No More aos palcos em quase uma década. Os shows estão previstos para 2027, conforme indica a postagem no Instagram da banda.
Desde agosto de 2016, quando encerrou sua última turnê, o Faith No More não voltou aos palcos. Nos anos seguintes, a banda tentou retomar as atividades — havia datas marcadas para 2020, 2021 e 2022 —, mas todos os planos foram por água abaixo. A pandemia foi o primeiro obstáculo; o segundo, mais delicado, foi o diagnóstico de agorafobia do vocalista Mike Patton, que o impediu de seguir em frente mesmo quando as restrições sanitárias já haviam sido levantadas.
O tecladista Roddy Bottum afirmou em 2024 que não via possibilidade de uam reunião, considerando encerrado o ciclo da banda. O baixista Billy Gould, por outro lado, sinalizou que toparia volcar à estrada — mas reconheceu que a situação interna era “estranha”, com os próprios integrantes sem uma leitura clara sobre o futuro do grupo.
Em fevereiro deste ano, Patton admitiu em entrevista que os shows de 2016 carregaram uma sensação tácita de despedida — percebida por todos, mas nunca verbalizada.

