Graham Coxon, guitarrista do Blur, compartilhou memórias sobre o período em que a banda trabalhou com o produtor William Orbit nas gravações do álbum “13”, em 1999.
Em entrevista recente à Rolling Stone (via NME), o músico descreveu Orbit — que faleceu em julho deste ano aos 69 anos — como um “gênio” marcado por uma abordagem sonora experimental e caótica.
A escolha de Orbit para produzir o sexto álbum do Blur ocorreu após o sucesso dele com “Ray of Light”, de Madonna. Coxon relembrou a conexão imediata que sentiu com o estilo peculiar do produtor. “Gostei instantaneamente de William. Percebi algum tipo de perversão musical nele e pensei: ‘Isso vai ser interessante'”, afirmou o guitarrista.
Ele completou sobre o clima das sessões: “Entendemos que seria uma anarquia. Achávamos que ele era esse gênio com um toque de loucura — mas, bem, é isso que o gênio faz”.
Um dos momentos recordados por Coxon foi a visita surpresa de Madonna ao estúdio em Londres. O músico descreveu o choque de ver a estrela pop enquanto ele trabalhava em partes de guitarra: “Eu estava na sala principal fazendo algumas guitarras bobas, brincando, e então olhei para a sala de controle e Madonna estava parada lá”.
A presença da cantora gerou um momento de hesitação cômica: “Eu pensei: ‘Ah, merda. Eu fico aqui ou tomo coragem para ir lá e dizer oi?’ Todos nós dissemos oi”.
Sobre “13”, do Blur
Blur lançou “13” em 1999, seu sexto álbum de estúdio, marcado por uma sonoridade mais experimental e introspectiva em comparação aos trabalhos anteriores da banda. O disco foi produzido por William Orbit e reflete o fim do relacionamento de Damon Albarn com Justine Frischmann, da Elastica, o que confere às letras um tom mais confessional e melancólico.
O álbum trouxe 13 faixas, sendo que três delas foram lançadas como singles: “Tender”, “No Distance Left to Run”
e “Coffee & TV”. Essa última deu origem a um dos clipes mais divertidos já feitos: sim, aquele das caixinhas de leite.
O disco contou com a produção de William Orbit compositor e multi-instrumentista britânico, referência da música eletrônica e ambient. Ele começou sua carreira nos anos 1980 como integrante do grupo synth Torch Song, antes de iniciar carreira solo com a série “Strange Cargo”. Ganhou notoriedade internacional ao produzir “Ray of Light” (1998), da Madonna. Também trabalhou com U2, All Saints e Prince, entre outros nomes.
A música da Madonna que quase foi uma música do Blur
Além da visita, Coxon revelou uma conexão curiosa entre o Blur e um dos grandes hits de Madonna, “Beautiful Stranger”. Ele lembrou que a banda chegou a improvisar sobre uma batida criada por Orbit, mas a ideia não avançou para o disco “13”.
Meses depois, ao ouvir o novo single de Madonna para o filme “Austin Powers”, o guitarrista teve um estalo: “Oh, essa é aquela faixa!”. A canção acabou rendendo a diva pop e ao falecido produtor o terceiro Grammy da parceria entre os dois.

