Matt Bellamy, vocalista do Muse, falou sobre o processo de composição de The Wow! Signal, décimo álbum da banda, em entrevista à NME, e explicou como momentos difíceis na vida funcionam, para ele, como gatilhos de criatividade.
Questionado se começou a fazer as músicas de The Wow! Signal para preencher um vazio causado por algo que havia perdido, Bellamy afirmou que o processo de composição do disco teve início como uma tentativa compreender aquilo que não conseguia controlar.
“É tentar entender o desconhecido. Os momentos mais difíceis da vida são aqueles em que você não tem respostas e não sabe o que fazer ou como será o futuro. Você se sente perdido, sozinho e sem saber o que está acontecendo. É confusão e busca por respostas dentro de si mesmo”, explicou o cantor e guitarrista do Muse.
Para o vocalista, esse estado de incerteza proporcionou uma perspectiva particularmente fértil para escrito do álbum que não seria possível em período de estabilidade emocional. “Esse é realmente o melhor lugar para um artista estar. Quando você passa por um período em que sente que está no controle da sua vida e da sua carreira, em que tudo está indo bem, é muito difícil compor a partir dessa perspectiva”, declarou.
O melhor álbum do Muse em anos
Bellamy reconheceu, porém, que essa conclusão o levou a uma constatação incômoda sobre sua própria relação com a criação musical. “Eu não queria que fosse verdade, mas acabei provando para mim mesmo, porque realmente acho que este é o melhor álbum que fizemos em muito tempo. Eu penso: ‘Caramba, vou ter que viver uma vida turbulenta para fazer boa música! Que chato!’”, destacou.
Ao ser questionado se essa dimensão pessoal havia faltado em trabalhos anteriores, Bellamy citou David Bowie e a criação de personagens do elemento criativo. O músico lembrou que essa abordagem esteve presente em diferentes trabalhos do Muse, mas que ela não supera o que a experiência pessoal oferece como matéria-prima.
“Há alguns álbuns que fiz em que isso funciona muito bem, como ‘Drones’ ou ‘The Resistance’, onde há um pouco de exploração da ficção – inspirado por 1984, pensando em histórias de ficção científica ou no que eu faria se estivesse passando por treinamento militar. Acho que nada supera a experiência autêntica da vida real“, destacou.

