Pitty falou sobre sua experiência como mulher nordestina no rock e sobre as mudanças na maneira como aborda questões femininas em suas músicas. Em entrevista à Marie Claire, a cantora relacionou essas transformações ao amadurecimento e às experiências acumuladas ao longo da carreira.
Questionada sobre a transição de uma perspectiva individual para uma abordagem mais coletiva das questões femininas em seu novo álbum previsto para sair no dia 16 de outubro, Pitty afirmou que a mudança está ligada ao amadurecimento.
“Acho que faz parte do amadurecimento, da vivência e do contexto. Pense em uma menina na Bahia, com uma banda, em um ambiente absolutamente masculino. Exercer a feminilidade naquele cenário era uma questão de sobrevivência. Como mulher, precisei usar uma armadura para ser escutada e não vista como um bibelô a serviço do olhar alheio”, explicou a cantora.
A experiência de Pitty como mulher nordestina
Ela também voltou a falar sobre sua experiência como mulher nordestina. Pitty lembrou que, embora tenha vivido por muitos anos em outra região do país, sua origem continua sendo parte de sua identidade e da forma como sua trajetória é percebida.
“Falo a partir do ponto de vista de uma mulher nordestina, daquela menina que veio para cá [São Paulo] com uma cultura e uma cena muito diferentes. Moro aqui há muito tempo e estou mais inserida, ainda assim, essa continua sendo minha herança e meu recorte. Durante anos, sempre escreviam ‘a roqueira baiana’ para me descrever. Até brinquei que escreveria na lápide: ‘Roqueira baiana, viveu do jeito que quis’.”, declarou.
Ao comentar os avanços relacionados ao espaço ocupado pelas mulheres e as reações contrárias a essas mudanças, Pitty afirmou que considera haver progresso, mas ressaltou que ainda existem obstáculos relacionados à segurança e à violência.
“Acho que estamos mais perto, mas isso não significa que as mulheres estejam seguras. Ainda não andamos tranquilamente na rua e precisamos lidar com reações frequentes, absurdas e violentas. Quando olhamos as estatísticas, percebemos que há muito a fazer. Acredito que essas reações sejam uma resposta aos avanços das mulheres. A cada passo que damos, o sistema tenta nos fazer recuar. Essa é a grande luta.”

