
Sendo este o álbum de despedida do Megadeth, é um desafio escrever esta resenha sem ser fisgado por clichês como “fecharam com chave de ouro” ou “encerraram no auge”. Uma audição honesta e sem sentimentalismo revela um disco sólido e um dos pontos altos da banda nos últimos anos. O trabalho funciona como uma mescla de diferentes fases do grupo, soando como um balanço do que foi construído em quatro décadas de estrada.
A abertura é impactante com “Tipping Point”, seguida por “I Don’t Care”. Enquanto a primeira entrega os riffs velozes e técnicos característicos do thrash metal, a segunda adota uma pegada mais próxima ao punk rock. Na sequência, “Hey God” resgata a sonoridade melódica que a banda explorou na década de 90.
Faixas como “Puppet Parade”, “Another Bad Day”, “Obey the Call” e “I Am War” mantêm a linha, alternando groove e riffs cavalgados com refrões mais cadenciados. “Made to Kill” retoma o thrash direto, enquanto “The Last Note”, a composição mais longa do álbum, utiliza uma estrutura progressiva e termina com arranjos de violão que dão o tom certo para a última música de um trabalho de despedida.
A formação atual conta com Dave Mustaine, James LoMenzo, Dirk Verbeuren e Teemu Mäntysaari. Este último, o novo guitarrista, que substituiu Kiko Loureiro, assina nove das dez faixas junto com o líder da banda e os demais membros, tornando este o álbum mais colaborativo da história do grupo. Mustaine é autor de forma invidiual apenas de “I Don’t Care”.
Um dos destaques do lançamento é a faixa bônus: um cover de “Ride the Lightning”, do Metallica. Mustaine se recusa a classificá-la como cover, com o argumento de ser ele um dos compositores ao lado de James Hetfield, Lars Ulrich e Cliff Burton. A versão apresentada é muito fiel à original, mantendo timbres, velocidade e atmosfera sem alterações significativas.
Ao sumarizar diferentes fases de sua história no último disco, Dave encerra a discografia de seu grupo de forma simbólica. O resgate de uma música de sua antiga banda, como conteúdo extra, é um epílogo para amarrar uma ponta solta – a sua mágoa pela demissão – afinal, o Megadeth nasceu justamente dessa mágoa.
O gesto mostra que, apesar do fim do anunciado e da idade, ele ainda tem a mesma energia juvenil dentro de si.
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