O vocalista e guitarrista do Metallica, James Hetfield, compartilhou, durante entrevista a Rádio SiriusXM, detalhes sobre o complexo processo criativo por trás de “Fixxxer”, a faixa de encerramento do álbum “Reload“. Em um relato sobre o período de composição, o músico destacou como uma obsessão pela cultura voodoo de Nova Orleans e suas imagens místicas foram fundamentais para dar vida à canção.
O processo de composição do Metallica
Segundo Hetfield, a música não surgiu de forma espontânea, mas foi fruto de um esforço prolongado da banda, que na época lidava com um volume massivo de material inédito. O músico reforça que “Fixxxer” era tratada como algo especial que demandava um cuidado extra na produção.
“Bem, minha memória está um pouco confusa, havia cerca de 40 e tantas músicas nas quais estávamos trabalhando, mas sim, aquelas canções longas e épicas… Fixxxer, elas não surgiram da noite para o dia. Foi um longo trabalho em progresso porque, você sabe, você tem algo realmente especial e quer dar a atenção que merece”, explicou
James Hetfield estava obcecado com a cultura voodoo de Nova Orleans
O tema central da letra foi moldado pelo interesse de James Hetfield nos rituais e lendas de Nova Orleans. Elementos como os túmulos marcados e a figura da Rainha Voodoo serviram como base visual para o desenvolvimento da composição.
“Acho que, naquele momento, eu estava tão obcecado com Voodoo e toda aquela coisa de Nova Orleans… os três X nos túmulos, sabe, com a Rainha Voodoo e tudo mais. Eu estava obcecado com isso, então os alfinetes e todas aquelas coisas, muitos visuais em torno dessa música”, relatou o cantor e guitarrista do Metallica.
Hetfield usou a temática para criar metáforas da vida real
Para Hetfield, a imagem do boneco voodoo serviu como uma metáfora perfeita para as dificuldades cíclicas da vida. Ele explica que a ideia de “alfinetes” sendo espetados representa os novos desafios que surgem mesmo quando tudo parece estar caminhando bem.
“É como quando sua vida está indo bem e alguém espeta outro alfinete em seu boneco voodoo e lhe dá outro desafio, sabe? E você consegue sobreviver a isso… os visuais para isso me ajudaram muito na criação da música também”.
Sobre “Reload” do Metallica
“Reload” é o sétimo álbum de estúdio do Metallica, lançado em 1997, como sequência natural de “Load” (1996). Novamente produzido por Bob Rock, o disco consolida a transição da banda para uma sonoridade mais experimental, afastando-se do thrash metal tradicional sem abandoná-lo completamente.
Avaliado como mais pesado que seu antecessor, “Reload” trazia 13 faixas e foi impulsionado pelos singles “The Memory Remains”, “The Unforgiven II” e “Fuel”. O álbum oscila entre faixas de heavy metal clássico e momentos de experimentação que geraram divisão entre os fãs tradicionais.
Comercialmente, porém, foi um sucesso, consolidando o Metallica dos anos 90 como força criativa independente, mesmo que controversa.

