Em entrevista recente ao programa VEJA Gente , Marcelo Bonfá trouxe à tona a complexidade da sua relação com o guitarrista Dado Villa-Lobos após o encerramento da turnê que celebrou os discos da Legião Urbana.
Bonfá foi descreveu o atual estado da convivência entre os dois fazendo um paralelo com a época em que a Legião Urbana ainda existiae e Renato Russo ainda era vivo: “A Legião sempre foi meio assim: a gente sempre se unia na hora de trabalhar e depois cada um tinha uma vida bem diferente, sabe, a gente não saíamos juntos. Eu acho que é por isso que a banda durou inclusive”.
Dado e Bonfá: o desgaste de 10 anos na estrada
O projeto, que começou em 2015 para comemorar os 30 anos do primeiro disco, acabou se estendendo por cerca de 10 anos, o que gerou um desgaste natural e divergências de visão artística. Bonfá explicou que a estrutura de gestão da turnê tornou-se um ponto de estresse: “A coisa de estar com a banda e tudo, esse processo durante 10 anos [tinha o desgaste que é normal] e a gente tinha uma visão diferente do que era para ser isso, sabe, então, foi meio problemático”.
Um dos pontos centrais desse desconforto era o fato de a empresária do projeto ser a esposa de Dado, Fernanda Villa-Lobos. Segundo o baterista: “No meio do caminho fica complicado porque, assim, eles estão mais próximos, ele da mulher dele, do que eu estou, então era muito desgastante para mim ter que ter que colocar a minhas ideias para duas pessoas, entende. O projeto era Dado e Bonfá, é minha imagem que está ali, a minha composição.”
Dado foi contra Bonfá cantar
Bonfá também relembrou momentos de tensão explícita, como quando manifestou o desejo de cantar durante as apresentações, algo que não teria sido bem recebido por Dado quando eles tocaram com a Orquestra Sinfônica Brasileira no Rock in Rio 2011. Ele detalhou o diálogo: “Nesse negócio do Rock in Rio, o Dado não gostou quando eu falei que queria cantar… aí o Dado falou assim: ‘Mas Bonfá você não cantava na Legião Urbana?’… aí cara eu, porra, eu peitei a parada e foi assim durante 10 anos nessa turnê, nesse clima. O público gostava que de me ver cantando, as pessoas que são fãs da Legião Urbana me apoiavam, a crítica me apoiava.”
Ao ser questionado sobre o termo “incompatibilidades ideológicas” que surgiu em entrevista ao Zero Hora, concedida em abril, Bonfá esclareceu que o termo não se refere à política partidária, mas a visões de mundo e de trabalho: “Eu usei essa palavra exatamente, mas não é a ideologia que você vê aí, de esquerda, direita… Levaram só para esse lado… Ideologia pode ‘ser eu gosto de café com leite, ele gosta de café’, tudo é uma questão ideológica”.
Atualmente, Marcelo Bonfá segue em carreira solo com uma performance onde toca bateria e canta simultaneamente, contando agora com a participação de seu filho no violão. Em paralelo, promove o seu livro autobiográfico em quadrinhos, Traço e Baqueta, onde explora suas memórias e seu lado como artista visual.

