No dia em que se completam 40 anos da morte de Cliff Burton, 27 de setembro, o guitarrista do Metallica, Kirk Hammett, publicou uma homenagem ao antigo companheiro de banda nas redes sociais e relembrou uma história vivida durante os primeiros anos do grupo.
Hammett descreveu um episódio ocorrido durante uma viagem, provavelmente em 1985 ou 1986. Segundo o guitarrista, a banda percebeu que havia deixado o baixista para trás depois de uma parada de descanso.
“Engraçado como certas memórias aparecem do nada. Estava a pensar naquela vez em que te deixámos para trás numa paragem de descanso. Tinha de ser em algum momento em ’85 ou ’86. Ainda consigo imaginar tudo”, inicia o relato de Kirk Hammett.
O guitarrista continuou se direcionando ao falecido baixista: “Tínhamos voltado para o autocarro e já estávamos a rolar pela estrada abaixo. Eu estava no meu beliche, mesmo abaixo do seu, e chamei-lhe sobre uma coisa. ‘Ei Cliff…’ Nada. Liguei outra vez. Ainda nada. Então, olhei para o seu beliche e você não estava lá…”
Foi então que Kirk perguntou aos demais integrantes onde Burton estava. Bobby, então gerente da turnê, percebeu o que havia acontecido. O motorista retornou ao local e encontrou Cliff caminhando de um lado para o outro. “Ainda te consigo ver aí parado e posso imaginar exatamente o que deve ter passado pela tua cabeça enquanto viste aquele autocarro desaparecer sem ti”, escreveu Hammett.
Depois de retornar ao ônibus, Burton foi para a parte traseira furioso, enquanto Bobby tentou acalmá-lo. Hammett recordou que, naquele momento, tudo o que os demais ouviram foi o baixista gritar: “FODA-SE!”
O guitarrista contou que, apesar da irritação de Burton naquele momento, a situação havia terminado quando a banda chegou ao hotel. Ao final da publicação, Hammett afirmou que são justamente essas pequenas situações da convivência que permanecem em sua memória décadas depois.
“São aqueles pequenos momentos em que me vejo a pensar agora. Todas aquelas milhas juntas, todas as risadas, todas as merdas malucas que aconteceram no caminho. Na época era só mais um dia na estrada. Nunca pensas realmente que aqueles momentos comuns se vão tornar aqueles a que te agarras”, escreveu.
A morte e o legado de Cliff Burton
Cliff Burton morreu na madrugada de 27 de setembro de 1986, quando o ônibus que levava o Metallica em turnê pela Europa derrapou em uma estrada gelada perto de Ljungby, na Suécia, e capotou. Cliff Burton, baixista da banda, foi arremessado pela janela e morreu esmagado pelo veículo. Ele tinha apenas 24 anos e estava na banda desde 1982.
Cliff Burton revolucionou o baixo no heavy metal ao introduzir elementos pouco comuns ao estilo. Como principal força motriz musical do Metallica nos primeiros álbuns, sua mente teórica elevou o thrash metal a um patamar artístico único. Suas contribuições em músicas como “(Anesthesia) – Pulling Teeth”, “For Whom The Bell Tolls” e “Orion” são lembradas e reverenciadas até hoje.
Sua morte ocorreu seis meses após o lançamento de Master of Puppets (1986), álbum que consolidou a banda e que Burton não viveu para ver se tornar um dos discos mais influentes do thrash metal.

