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Billy Corgan afirma: “Se você fala sobre Deus, pode muito bem jogar sua carreira no lixo”

Em seu podcast, ícone dos anos 1990 falou sobre a presença da fé em sua trajetória artística

O líder do Smashing Pumpkins, Billy Corgan, falou abertamente sobre sua espiritualidade durante uma conversa com Michael Sweet, vocalista do grupo de metal cristão Stryper, no podcast The Magnificent Others. Corgan declarou-se cristão e afirmou ter tomado a decisão consciente de falar de Deus em sua trajetória artística, mesmo acreditando que isso poderia trazer custos para sua carreira.

Para o cantor do Smashing Pumpkins, a espiritualidade cristã permanece como um dos temas mais evitados dentro do circuito do rock. Ele revelou ter compartilhado essa visão em uma entrevista à revista Rolling Stone, apontando a hesitação de muitos artistas em abordar o assunto.

“Eu disse uma vez à Rolling Stone que Deus é o terceiro trilho do rock and roll — se você fala sobre Deus, pode muito bem jogar sua carreira no lixo”, declarou Corgan. “Eu tomei a decisão de que falaria sobre Deus de forma honesta, pelo menos sobre Deus na minha vida ou sobre acreditar em Jesus como meu Senhor e Salvador. Se isso fosse me prejudicar, eu não me importaria, porque se eu não puder ser honesto sobre quem eu sou, o que estou pedindo para um fã acreditar?”, acrescentou.

A expressão “terceiro trilho” vem do metrô norte-americano — o trilho energizado no qual quem toca é eletrocutado. Aparentemente, Billy Corgan usou esse termo como metáfora para descrever Deus como um assunto tóxico na indústria do rock que a maioria dos artistas, na sua visão, prefere evitar.

Em outro ponto da conversa, Corgan chegou a mencionar uma suposta contradição, observando que o público e a crítica aceitam com naturalidade temas assustadores na música. “Acho estranho que ninguém se escandalize ao ouvir death metal, ou metal ‘assustador’ ou ‘satânico’ — ou o que quer que seja —, mas, de alguma forma, quando Deus entra na jogada, a reação é tipo: ‘Opa, calma lá, vamos devagar’”, disse.

Billy Corgan foi criticado nos anos 1990

Corgan ainda relembrou que foi criticado por grupos religiosos nos anos 1990, por conta da frase “God is empty just like me” (“Deus está vazio assim como eu”), presente na música “Zero”, do álbum Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995). Ele explica que, na época, tentou esclarecer sua perspectiva aos críticos.“’Olha, sou cristão e acredito em Deus, então o que vocês estão fazendo na verdade é me afastar’, em vez de me acolher e dizer: ‘Talvez você devesse ver isso de outra forma’ ou ‘Talvez você esteja levando as pessoas pelo caminho errado’”, disse.

Ele ainda acrescentou: “Meu argumento definitivo para qualquer pessoa do lado religioso que veio me criticar foi: ‘Se Deus me fez, quão errado eu posso estar?’. Se estamos todos apontando para a mesma direção, para mim tudo se resume ao amor.”

Fala de Corgan foi boicotada

Não está claro em qual edição da Rolling Stone saiu a entrevista que Corgan menciona, ou se é que de fato ela saiu. Em 2013, durante bate-papo com a CNN, ele já havia feito essa mesma referência ao ser questionado sobre o que estava explorando musicalmente. Ele respondeu:“Deus. Uma vez, uma grande revista americana fez uma matéria chamada ‘O Futuro do Rock’.”

Na sequência, ele explicou:“Eu acho que Deus é o grande território inexplorado na música rock and roll. E eu realmente disse isso. Achei que era a resposta perfeita. E, claro, eles não incluíram na entrevista.”

Ainda na CNN, o cantor e guitarrista mencionou o U2 e ofereceu conselhos para artistas de rock cristão.“Se vocês querem ser bons, parem de copiar o U2. O U2 já fez isso. Sabe o que eu quero dizer? Tem muito rock cristão no estilo U2 por aí. Bono e companhia criaram o modelo para o rock cristão moderno. E eu gosto de pensar que Jesus gostaria que todos nós evoluíssemos”, disse.

Billy Corgan entrevista Michael Sweet, líder da banda de metal cristão Stryper.

A religiosidade de Billy Corgan no Zwan

Musicalmente falando, o momento em que Billy Corgan foi mais explícito em relação à sua religiosidade foi no álbum Mary Star of the Sea (2003), do Zwan, banda que ele formou depois que o Smashing Pumpkins encerrou as atividades em 2000.

O título do disco é abertamente cristão: Maria, Estrela do Mar, em tradução livre, refere-se à Virgem Maria como um guia para os fiéis.

Nessa época, Corgan chegou a falar sobre Deus em uma entrevista concedida à Rolling Stone enquanto promovia o álbum.“Eu não acho que Deus realmente se importa com a forma como você faz isso, apenas que você esteja disposto a fazer. Deus quer que você caminhe em direção ao ponto certo no horizonte. Você pode errar, mas a ideia é que esteja disposto a se levantar e continuar se movendo em direção a essa luz”, refletiu.

Em 2004, Corgan publicou um longo texto em seu site pessoal em que explicava a escolha do título do álbum.“Nossa Senhora salvou minha vida. É por isso que o álbum do Zwan se chama Mary, Star of the Sea”, inicia o texto. “Havia uma gruta da Virgem Maria onde eu costumava rezar para encontrar clareza e consolo. Eu pedia a Nossa Senhora que me ajudasse a mudar o rumo da minha vida, minhas atitudes negativas e a curar meu coração partido. Eu prometi a Nossa Senhora que, em sua homenagem, daria o nome do álbum em sua honra, honrando assim o lugar onde encontrei conforto em momentos de necessidade”, escreveu.

Mary Star of The Sea - Zwan
“Mary Star of The Sea”, o único disco do Zwan trouxe 14 músicas, incluindo os singles “Honestly” e “Lyric”

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