Os Engenheiros do Hawaii concederam uma entrevista à revista Bizz na época do lançamento do álbum “A Revolta dos Dândis” e, durante o bate-papo, publicado na edição de novembro de 1987, foram questionados sobre quais eram as diferenças do novo disco com o seu antecessor, “Longe Demais das Capitais”, divulgado no ano anterior. “O primeiro era uma pintura de algo que tu estava vendo e este é uma pintura de algo que tu está sentindo”, disse o vocalista Humberto Gessinger.
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“A Revolta dos Dândis” é o segundo álbum dos Engenheiros do Hawaii e foi lançado em outubro de 1987. De suas 11 faixas, apenas “A Revolta dos Dândis I”, “Terra de Gigantes” e “Infinita Highway” foram lançadas como singles, porém, músicas como “Refrão de Bolero”, “Filmes de Guerra, Canções de Amor”, “Além dos Out-doors”, “Vozes” e “Desde Aquele Dia” também se tornaram bastante populares.
É sem dúvida alguma um dos discos mais importantes da carreira da banda e do rock nacional, bem como um dos mais queridos dos fãs. Ciente disso, o vocalista Humberto Gessinger, inclusive, homenageou os 30 anos do trabalho com uma turnê posteriormente registrada no álbum e DVD “Ao Vivo Pra Caramba – A Revolta dos Dândis 30 anos”, lançados em 2018.
Uma das principais diferenças entre “Longe Demais das Capitais” e “A Revolta dos Dândis” é o fato de que o segundo disco dos Engenheiros do Hawaii marca a estreia do guitarrista Augusto Licks. O baixista Marcelo Pitz deixou a banda no final da turnê do primeiro álbum e Humberto Gessinger decidiu assumir o instrumento. Entretanto, o líder do grupo, na época do lançamento, enxergava outras diferenças além dessas, muitas delas conceituais.
“O primeiro era uma pintura de algo que tu estava vendo e este é uma pintura de algo que tu está sentindo. É uma coisa extremamente careta esse jeito que eu transo música de ser uma pintura, de ser uma forma de expressão, de ser um espelho. Mas é o jeito que eu posso transar – não posso ir adiante de minhas pernas. Eu ainda estou nessa, de achar que música é um meio e não um fim”, refletiu Gessinger.
O disco, obviamente, também trouxe mudanças sonoras, entretanto, Humberto admitiu que não era algo sobre o qual ele tinha uma opinião formada. “Agora, é difícil extrapolar além disso. A gente não pode falar que mudou – ficou mais leve, mais pesado, tem mais ritmo, menos ritmo. Gostaria que alguém falasse sobre isso. Vou estar atento sobre o que vão escrever a respeito. Sabe, gosto dessa coisa de não saber qual é. Talvez seja uma incapacidade de dominar o processo. Mas eu gosto de fazer e ficar torcendo”, disse.
A influência do existencialismo de Roberto Carlos
Segundo Humberto Gessinger, ele tinha dificuldade de olhar para o seu trabalho pensado em termos de fases ou movimentos e explicou o emaranhado de influências que resultou na sonoridade de “A Revolta dos Dândis”, o que inclui o lado existencialista do cantor Roberto Carlos.
“Somos super influenciados pelos franceses dos anos 60 -Sade, Camus, aquela baboseira toda. Sou super tiete desses caras. E o Júlio Reny (representativo compositor gaúcho que faz uma participação nesse segundo LP dos Engenheiros) me abriu os olhos para um lance: ele descobriu um Roberto Carlos existencialista, que é uma ponte que eu nunca teria feito. Pensando bem, tem uma série de condicionantes – os caras não abriam mão da canção; a gente também não abre mão da canção”, afirmou.

