Engenheiros do Hawaii: Fernando Deluqui relembra passagem pela banda: “Aquilo é uma religião”
O guitarrista Fernando Deluqui, consagrado por sua trajetória no RPM, compartilhou memórias marcantes sobre o período em que integrou o Engenheiros do Hawaii na década de 90. Em entrevista ao canal Corredor 5, o músico descreveu a experiência de tocar para o público da banda gaúcha como algo que transcendia o entretenimento convencional, comparando o fanatismo dos seguidores a uma experiência espiritual.
Deluqui ingressou na banda no início de 1995, após um convite direto de Gil, produtor e empresário, em um momento em que o grupo buscava renovar sua sonoridade após a saída do guitarrista Augusto Licks. Segundo Deluqui, o objetivo era trazer mais peso ao som da banda: “No início de 95, o Gil liga e fala: ‘Fernando eu estou tendo problema lá com os Engenheiros e eu preciso de você, cara, e você é um cara que tem som e a banda tá precisando de um som'”.
A chegada de Deluqui marcou uma transição na estrutura da banda, que deixou de ser o clássico power trio para explorar uma formação com dois guitarristas como forma de suprir a ausência de Augusto Licks. “Nós fomos pra estrada com dois guitarristas e virou não era não era ruim, deu um up e virou um 4×4 legal”.
Mesmo acostumado ao sucesso massivo do RPM nos anos 80, Deluqui notou uma característica distinta no público de Humberto Gessinger, algo que ele define como quase místico. “Fizemos show para caralho, os Engenheiros iam pra estrada… Era show lotado, aquilo é uma religião… É um negócio que eu vi coisas ali… [é diferente do RPM]”, é meio seita.”
Para exemplificar, o guitarrista relembrou uma situação ocorrida em um show na cidade de Paraibuna, interior de São Paulo, que ele classifica como “inusitada”. Quando a banda estava se preparando para ir embora, uma fã furou o bloqueio policial que escoltava os músicos e se jogou em cima de Humberto aos gritos chamando-o de “Jesus”. “Ele fez bem para a vida de muitas pessoas, clareou muita coisa”, concluiu Deluqui.
“Simples de Coração” dos Engenheiros do Hawaii
No período em que ficou nos Engenheiros do Hawaii, Fernando Deluqui teve a oportunidade de gravar o álbum “Simples de Coração” (1995). “Aquele disco aquilo foi uma honra para mim poder fazer aquele disco”. O músico relembra que houve uma aposta da gravadora nessa nova formação que bancou o produtor Greg Ladanyi, que já tinha trabalhado com o Eagles e o Fleetwood Mac, além de levar a banda para gravar em Los Angeles.
O disco é o sétimo de estúdio dos Engenheiros do Hawaii e o último contar com a participação do baterista e fundador Carlos Maltz. O trabalho com 11 músicas contou com uma colaboração de Deluqui com Humberto, a faixa “Algo Por Você”.

