Reviews

Resenha: Muse se reencontra criativamente em “The Wow! Signal”

Warner/Helium-3 (2026) – Nota: 4,5/5
“The Wow! Signal” – Muse

Olhar para a trajetória do Muse após “Black Holes & Revelations” (2006) é enxergar uma discografia irregular, sem direcionamento, com ausência de filtro de boas ideias e com excesso de pretensão de grandiosidade. Felizmente, “The Wow! Signal” desata esse nó criativo em que a banda estava presa.

Com dez faixas que somam 45 minutos, o álbum é compacto, centrado e vai direto ao ponto. Não há faixas de preenchimento, não há experimentos que não se sustentam.

O título do álbum faz referência a um sinal de rádio captado do espaço por um telescópio norte-americano em agosto de 1977 que deu fôlego a teorias de existência de vida extraterrestre. Matt Bellamy, que havia acabado de passar por um processo de divórcio, usou o tema como metáfora para tratar da solidão cósmica como espelho da solidão íntima.

Parte dessa recuperação criativa passa, obviamente, pelo trabalho do produtor Dan Lancaster, músico de turnê da banda desde 2022 e que tem no currículo trabalhos com Bring Me the Horizon e Blink-182. Ele assina todas as faixas do disco ao lado dos membros da banda e trouxe o toque de objetividade necessário.

“The Wow! Signal” começa com a orquestrada “The Dark Forest” e seu coro de vozes apocalíptico, passa pelo groove de “Nightshift Superstar”, pela balada espacial “Shimmering Scars” e emenda em “Cryogen”, uma faixa que nos transporta para a atmosfera do álbum “Origin of Symmetry” (2001).

“Cryogen”, single do álbum “The Wow! Singal”

“Be With You”, outra balada do disco, se destaca pelo órgão imponente e espiritual. “Hexagons” e “Unravelling” nos fazem voltar ao Muse do passado mais uma vez, enquanto “The Sickness In You & I” mergulha no heavy metal com riffs de guitarra em doses cavalares. A regular “Hush” traz uma colaboração com a cantora Ellie Goulding que, apesar do peso, tem refrão pop e grudento. “Space Debris” olha mais uma vez para o retrovisor, mais especificamente para a atmosfera de “Showbiz” (1999).

Sem abdicar dos elementos sonoros incorporados ao longo da carreira, o Muse resgata a forma mais simples de compor dos primeiros discos e entrega um conjunto de ideias criativas que funcionam e se concentram em melodias organizadas e memoráveis. Destaca-se também o trabalho de guitarras de Matt Bellamy, que se mostra em boa forma com riffs e solos que se justificam dentro da estrutura das composições.

O que torna “The Wow! Signal” um bom disco é sua coesão.

Notícias no WhatsApp:

Leia também:

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Ok Music Play

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading