Billy Corgan relembrou o trabalho com Rick Rubin durante as sessões de Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., lançado pelo The Smashing Pumpkins em 2018. Em vídeo publicado no Substack, o músico explicou como a abordagem do produtor influenciou o processo de gravação e destacou que o método utilizado foi diferente daquele tradicionalmente adotado pela banda.
Segundo Corgan, Rubin costuma olhar para o passado dos artistas com quem trabalha em busca de momentos específicos de sua trajetória. Foi essa abordagem que, de acordo com o vocalista, marcou parte da produção de Shiny.
“Como já mencionamos algumas vezes, trabalhar com o Rick Rubin foi ótimo, mas o Rick, como costuma fazer, tende a olhar para o passado, buscar um momento marcante e perguntar: ‘Podemos voltar àquela mesma vibe?’”, afirmou Corgan.
A forma que o Smashing Pumpkins trabalha
O músico explicou que, embora a banda tenha seguido parcialmente essa direção no álbum, o processo não correspondia à maneira como o Smashing Pumpkins tradicionalmente trabalhava. Um dos principais exemplos foi o tempo empregado nas gravações: as sessões de Shiny duraram cerca de três semanas.
“Embora tenhamos feito isso até certo ponto no disco Shiny, não era realmente a maneira como os Pumpkins tradicionalmente trabalhavam. Além disso, as sessões que você ouve em Shiny foram resultado de cerca de três semanas de trabalho. E, novamente, tradicionalmente não era assim que os Pumpkins trabalhavam tão rapidamente”, contou.
Corgan afirmou que a principal característica positiva do disco foi justamente registrar aquele momento específico da trajetória do grupo, que havia retomado sua formação como trio, com os retornos do guitarrista James Iha e do baterista Jimmy Chamberlin.
“O lado positivo do disco Shiny é que ele captura um momento no tempo, que é meio como os primeiros passos frágeis de trabalharmos novamente como um trio pela primeira vez desde Machina”, disse.
O contraste com Machina/The Machines of God, de 2000, foi utilizado por Corgan para dimensionar a diferença entre os processos de produção. Enquanto o álbum anterior levou aproximadamente oito meses de trabalho, Shiny foi produzido em três semanas.
Na avaliação de Corgan, a rapidez das sessões também contribuiu para que Shiny tivesse uma característica diferente dos demais discos do Smashing Pumpkins. O músico afirmou que ainda considera um erro o lançamento do projeto como um LP.
“Ainda me arrependo de tê-lo lançado como um LP, que, no estilo antigo, você chamaria de long play, porque ele é percebido como um álbum, mas realmente não é. É mais como um EP estendido ou algo assim”, explicou Corgan.
Após o lançamento e a recepção do trabalho, Corgan decidiu voltar a um processo mais profundo de criação. Ele admite que já esperava que o público procurasse no disco uma profundidade semelhante à encontrada em outros trabalhos da banda.
“Quando o disco saiu e não gerou a reação que todos esperavam — algo de que eu já estava ciente antes do lançamento, pois sabia que as pessoas buscariam uma profundidade que aquele trabalho não oferecia”, revelou.
Passado, presente e futuro do Smashing Pumpkins
Foi a partir dessa reflexão que Corgan se moveu em direção aos trabalhos seguintes, Cyr (2020), Atum (2023) e Aghori Mori Mei (2024).
“Passei muito tempo nos últimos sete anos bastante focado em — vamos chamar assim — conduzir o barco dos Pumpkins no que diz respeito à gravação. As opiniões variam, o que é perfeitamente normal. Mas, para mim, era importante voltar a fazer música de uma forma orgânica, e acho que conseguimos isso ao longo desses sete anos.”
Para o músico, Cyr traz a banda “para uma certa modernidade”, enquanto a ópera rock Atum “é o primeiro disco que realmente começa a abordar o equilíbrio entre as forças do passado, do presente e do futuro”. “Aghori Mori Mei”, por sua vez, “representa o verdadeiro momento em que a engrenagem volta a girar com força total.”

