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Novo disco do Oceania: peso, melodia e músicas com finais inesperados

Independente (2020) – Nota (1 a 5): 5
Oceania – Dark Matter – Capa/reprodução

“Dark Matter” é o segundo disco de estúdio do Oceania, banda de rock alternativo (ou grunge, ou simplesmente rock pesado, como queiram) de Belo Horizonte. É também o sexto da carreira do vocalista, guitarrista e compositor Gustavo Drummond, que durante os anos 2000 liderou as bandas Diesel e Udora. A primeira ficou famosa no underground brasileiro depois de tocar no Rock In Rio 2001 e a segunda vivenciou o mercado da música americana, trabalhou com grandes produtores, abriu turnê do Jerry Cantrell (Alice in Chains), gravou o excepcional “Liberty Square” (depois de ouvir o “Dark Matter” ouça esse, você não vai se arrepender) e teve música escolhida como tema da Copa do Mundo na ESPN USA.

As características que formaram a identidade musical de Gustavo Drummond estão presentes neste novo trabalho: melodias refinadas, acordes e afinações não convencionais, a preocupação com o timbre e com os arranjos de guitarra. Gustavo é um apaixonado pelo instrumento, um guitar nerd, como costuma dizer. Mas este é sem dúvida alguma um disco muito mais ousado. “Dark Matter” é pesado, denso e complexo. É quase heavy metal. “Mouth of God”, o segundo single, por exemplo, tem riffs que parecem beber na fonte do trash metal.

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As canções redondas que seguem uma estrutura padrão com introdução, verso, refrão, solo, refrão, algo marcante ao longo da carreira de Gustavo Drummond, dão lugar a novas abordagens musicais. O exemplo mais claro disso é “Into The Sun”, uma canção, digamos, mais progressiva, que toma caminhos inesperados. A melhor do disco e uma surpresa para os fãs.

Outra que segue a mesma proposta de surpreender o ouvinte é a faixa de encerramento, que leva o nome do disco. Você pensa que a canção está terminando e riffs no melhor estilo Black Sabbath surgem do nada. O final é rápido e explosivo, como nunca se ouviu ao longo de toda a discografia de Gustavo Drummond. Aliás, Tony Iommi parece ter sido a principal referência na hora de compor.

O disco é enxuto, são 8 músicas, mas tem uma dinâmica diversificada, as vezes rápido, às vezes muito rápido, às vezes lento, às vezes cadenciado. “Insane To The World”, por exemplo, tem ritmo frenético, riffs rápidos e refrão melódico. “Just Ride” é mais lenta, quase uma balada, lembra muito as músicas do “Liberty Square”, só que menos polida. Lembra o Soundgarden da época do “Superunknown”.

“Dark Matter” passa a impressão de ser maior do que realmente é, em termos de duração, e não é em um sentido negativo, é um álbum para ser apreciado, daqueles que tendem a melhorar a cada audição, já que você vai percebendo partes que não havia notado antes. É o tipo de disco em que você fica nada dúvida na hora de escolher qual a melhor música. Todas passam a impressão de terem recebido um trabalho exaustivo de refinamento, de escolhas.

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O Oceania é formado por Gustavo Drummond (vocal e guitarra), Daniel Debarry (baixo) e Túlio Braga (bateria). “Dark Matter” foi gravado de forma independente em Belo Horizonte a partir de financiamento coletivo e está disponível nas principais plataformas digitais e também em versão física (saiba como comprar aqui). A capa homenageia a cidade com uma foto pouco convencional de um dos símbolos de sua arquitetura: o Edifício Oscar Niemeyer, localizado na Praça da Liberdade, ponto turístico que também já foi homenageado em outro trabalho do Gustavo (adivinha qual). Apesar de chegar apenas no final de 2020, “Dark Matter” é um dos melhores trabalhos de rock lançados no Brasil neste ano.

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