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Guided By Voices: novo álbum, o terceiro em 2020, mantém a identidade da banda

GBV Inc (2020) – Nota (1 a 5): 3
Guided By Voices – Styles We Paid For – Capa / Reprodução

Você já ouviu falar no Guided By Voices? Se a resposta for não, tudo bem, é normal. A banda não é muito famosa, mas, definitivamente, é uma das mais prolíficas na história da música. Desde 1983, o grupo norte-americano já lançou 30 álbuns de estúdio, 12 compilações, 19 EPs e por aí vai. Os números são expressivos, especialmente ao considerarmos que houve períodos de hiato entre 2004 e 2010, e entre 2014 e 2016.

Em 2020, a banda repetiu o feito do ano anterior e produziu três álbuns consecutivos: “Surrender Your Poppy Field” (fevereiro), “Mirrored Aztec” (agosto) e “Styles We Paid For”, disponibilizado agora em dezembro. Números à parte, hora de falar sobre música. 

O quinteto comandado por Robert Pollard é reconhecido pelo estilo lo-fi, guitarras com distorções típicas do rock anos 90 e por suas canções curtas, algumas com pouco mais de 1 minuto de duração. As letras abordam todos os temas possíveis com versos oníricos, eventuais refrões e estruturas improváveis, que ganham a companhia de melodias e arranjos sob os mesmos adjetivos. Tudo isso está presente em “Styles We Paid For”.

A faixa “Electronic Windows To Nowhere” é uma crítica digital que cresce e eclode em apenas 13 versos e 1m57s de duração. “In Calculus Strategem” é uma balada abstrata que mistura bonitos timbres à voz inconfundível do vocalista. “Endless Seafood” começa com riffs power-pop, é bruscamente interrompida e termina após uma curta exploração sonora digna de rock progressivo. Exemplos semelhantes podem facilmente ser encontrados nos álbuns mais icônicos da banda, como Bee Thousand (1994) e Alien Lanes (1995). De fato, não há nada de novo no novo trabalho do GBV

Isso quer dizer que o lançamento é ruim? De forma alguma. É um bom álbum! Consistente, o disco gravado à distância devido à quarentena dos músicos contém todos os elementos característicos do Guided By Voices, e é isso. A proposta da banda em suas centenas de micro canções nunca foi quebrar paradigmas ou se reinventar, mas levar o ouvinte a um lugar que apenas eles conhecem, de um jeito que ninguém mais pode.


Com “Styles We Paid For”, Robert Pollard alcança a marca de 108 álbuns lançados no total, somando a discografia do GBV, carreira solo e diversos projetos paralelos. Aos 63 anos, ele não dá indícios de que vá desacelerar tão cedo. Se você está conhecendo a banda só agora, é melhor dar play o quanto antes. Um novo álbum provavelmente já está a caminho.

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