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O estrelismo de Freddie Mercury e a homofobia de artistas brasileiros durante o Rock in Rio de 1985

Vocalista do Queen teve comportamento de estrela e foi hostilizado

O show mais icônico da primeira edição do Rock in Rio, realizada em 1985, foi, sem dúvida alguma, o do Queen, eternizado, principalmente, pela emocionante interpretação de “Love Of My Life” que, inclusive, foi retratada na cinebiografia “Bohemian Rhapsody”, de 2018.

O jornalista e promotor de eventos Amin Khader, foi produtor de camarins da primeira edição do Rock in Rio e já relatou, em diferentes ocasiões, uma história bastante curiosa que exemplifica o estrelismo do vocalista do Queen, Freddie Mercury, e também a homofobia dos artistas brasileiros que tocaram no festival naquele ano.

No primeiro episódio da série “Rock in Rio: A História”, disponível no Globoplay, Amin Khader conta que os artistas escalados para tocar no mesmo dia que a banda britânica, saíram dos seus camarins para assistir a chegada de Freddie Mercury. O cantor questionou ao produtor quem eram aquelas pessoas e ouviu como resposta “que eram artistas e técnicos do mesmo gabarito do que ele. Ele falou que não eram porque essas pessoas conheciam ele e ele não conhecia ninguém”, relata o promoter (transcrição do UOL).

A icônica interpretação de “Love of My Life” no Rock in Rio de 1985.

O vocalista, então, deu cinco minutos para que o corredor ficasse livre para a sua passagem. Artistas como Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Pepeu Gomes e Baby do Brasil dividiriam o palco com o Queen na ocasião. Amin precisou convencê-los a liberar a passagem, situação que provocou tremendo mal estar, revidado com xingamentos homofóbicos. “Quando ele passa, todo mundo nas portas estava gritando: ‘bicha, bicha, bicha’. Mas não era um ‘bicha’ sorridente. Era um ‘bicha’, assim, com aquela cara de ódio.”

Para contornar a situação, Amin precisou mentir para Freddie Mercury, que perguntou o que eles estavam gritando. “Eu disse que era um elogio. Não adiantou, ele sacou que era algo errado, entrou no camarim e quebrou tudo. Jogou tudo pro alto”, detalhou Amin em entrevista ao jornalista Léo Dias.

O Queen tocou em duas noites do Rock In Rio de 1985. Na abertura, realizada no dia 11 de janeiro, ao lado de Iron Maiden, Whitesnake, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Erasmo Carlos e Ney Matogrosso, e no dia 19, com B-52’s, Gogo’s, Lulu Santos, Eduardo Dusek e Kid Abelha.

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