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Lucas Silveira relembra o lado negativo da indústria da música quando a Fresno assinou

Cantor e guitarrista relata as pressões que executivos faziam sobre a banda

O vocalista da banda Fresno, Lucas Silveira, em um bate-papo com Clemente Magalhães, no podcast Corredor 5, falou sobre os anos que sua banda esteve em uma gravadora e o lado negativo da experiência. Eles assinaram com a Universal Music em 2007 via Arsenal Music, selo comandado pelo produtor Rick Bonadio e lançaram dois álbuns “Redenção” (2008) e “Revanche” (2010), além do DVD “O Outro Lado da Porta” (2009).

Durante a conserva com Clemente, Lucas relembrou que eles assinaram em um momento de virada na indústria. “Foi a última vez que investiram em bandas do jeito antigo: ‘vamos contratar umas 5 e botar um caminhão de dinheiro e, se uma bombar, vai pagar a conta das outras. Foi o final disso'”, contou.

Nessa época, a Fresno chegou a vender algo em torno de 70 mil cópias, contou o músico, um bom número para a época, embora não fosse expressivo quando comparado com os maiores artistas daquela década, como Pitty, Charlie Brown Jr e Los Hermanos, por exemplo. Silveira explica que havia uma estratégia, por parte dos executivos, de pressionar as bandas por resultados, mesmo que elas estivessem bem no mercado. “Eles sabiam que se eles começassem a te falar que você estava bombando, tu ia começar a se achar lá dentro. Então eles trabalhavam muito com a autoestima do artista para fazer ele nunca achar que estava bombando!”, comentou Lucas.

Ele acrescentou: “Então toda semana era uma reunião para apagar um incêndio fictício, assim, tipo, ‘a música está parando de tocar na rádio, o que vocês estão fazendo de errado?’. ‘Está parando de vender show…’ Mas estava muito bombado, às vezes eu passava sem querer na frente num colégio e, tipo assim, não conseguia passar…”, relata o músico, fazendo referência ao período que a Fresno estava colhendo a popularidade do disco “Redenção”, em que trocaram abordagem alternativa de suas músicas por um som mais pop. 

Comparações com o NX Zero e decepção com a indústria da música 

Lucas Silveira relatou, ainda, que a pressão exercida sobre eles usava estratégias de comparação com outros artistas, como o NX Zero, banda contemporânea da Fresno e que dividia o mesmo nicho de público. “Mas a gente caiu que nem um pato nisso, porque a gente achava, e também porque na mesma firma tinha o NX Zero que era mais bombado, era mais mainstream e aí comparava, ‘olha aqui, galera, o NX Zero é sucesso hein e vocês…’, rolaram coisas horríveis.”

A experiência com o lado negativo da indústria da música fez os integrantes da Fresno perceberem que havia pouca preocupação com lado artístico, por parte dos executivos. “A gente percebeu que tudo que a gente gostava, tudo pelo qual a gente fazia música, não importava muito, não importava nem ser bom. A gente se importava muito em ser bom, a gente queria sempre melhorar, investir mais no som, na foto que a gente vai fazer, no lançamento, no clipe, e aí percebemos que aquilo era bem secundário.”

A Fresno surgiu em 1999 na cidade de Porto Alegre. Seus três primeiros discos “Quarto dos Livros” (2003), “O Rio, a Cidade, a Árvore” (2004) e “Ciano” (2006) foram lançados de forma independente. Após o fim do contrato com a Arsenal, em 2011, motivado por diferenças criativas com Rick Bonadio, a banda voltou a ser independentes. Seus dois discos mais recentes, no entanto, “Sua Alegria Foi Cancelada” (2019) e “Vou Ter Que Me Virar” (2021), foram disponibilizados a partir de uma parceria com a gravadora BMG

Você pode conferir o corte em Lucas Silveira fala da indústria clicando AQUI. Se preferir, assista ao programa completo pelo player abaixo:

Lucas Silveira da Fresno podcast Corredor 5.

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