
Parecia pouco provável que a cantora Poppy deixaria de ser um “experimento de nicho” para se tornar um dos nomes mais promissores do rock pesado mundial. Mas é exatamente isso que está acontecendo.
Embora acumule mais de uma década de estrada e indicações ao Grammy, Poppy vive hoje o seu melhor momento. No último ano, ela colaborou com Amy Lee (Evanescence) e Courtney LaPlante (Spiritbox) no bem-sucedido single “End of You” — além de abrir os expressivos shows do Linkin Park na América Latina.
Para este ano, a cantora tem na agenda uma extensa turnê mundial, incluindo datas ao lado dos já referidos Evanescence e Spiritbox. E há, é claro, o lançamento de “Empty Hands”, seu sétimo disco de carreira, que acaba de sair. Este é, até o momento, seu melhor trabalho, pois consolida sua identidade sonora como uma artista de rock e metal capaz de trafegar por diferentes vertentes.
O álbum transita pelo metal industrial, djent, rock alternativo e punk, flertando até com o black metal em uma fluidez que poucos artistas conseguem sem soar pretensiosos. Contribui para essa empreitada exitosa a repetição da parceria com o produtor Jordan Fish (ex-Bring Me the Horizon), também responsável por “Negative Spaces” (2024). Ele foi capaz de polir o som de Poppy, dando propósito ao caos.
O que antes era experimentalismo puro tornou-se marca registrada em faixas mais compactas e estruturadas. Músicas como “Public Domain”, que abre o disco, resgatam o deboche robótico dos primeiros trabalhos da cantora, mas agora com uma musculatura sonora que sustenta a ironia.
“Empty Hands” é um álbum sobre o descarte: de pessoas tóxicas, de expectativas da indústria e de máscaras conceituais. Em faixas como “Bruised Sky”, “Guardian”, “Unravel” e “Ribs”, Poppy traz à tona sentimentos de fúria expressos em gritos estridentes e riffs pesados, mas também em melodias vocais contagiantes que surgem nos refrões configurando um exercício de agressividade que não exclui a beleza. Há uma grandeza emocional nessas canções que evoca vulnerabilidade.
A faixa-título, “Empty Hands”, que encerra o disco, é possivelmente o momento mais pesado de sua discografia. É um exorcismo sonoro que simboliza que, para reconstruir, às vezes é preciso primeiro desmoronar por completo.
O resultado é que Poppy não precisa mais provar que consegue fazer metal; ela já é uma das principais representantes contemporâneas do estilo. “Empty Hands” não é apenas um álbum, é um manifesto de maturidade e independência.
Tracklist Oficial: “Empty Hands” (2026)
- “Public Domain” (4:00)
- “Bruised Sky” (3:41)
- “Guardian” (3:14)
- “Constantly Nowhere” (0:28)
- “Unravel” (2:55)
- “Dying to Forget” (3:33)
- “Time Will Tell” (3:27)
- “Eat the Hate” (1:50)
- “The Wait” (3:46)
- “If We’re Following the Light” (4:06)
- “Blink” (0:44)
- “Ribs” (3:39)
- “Empty Hands” (3:09)

