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Review: Poppy equilibra o caos no álbum “Empty Hands”

Sumerian Records (2026) – Nota (1 a 5): 5
Poppy - Empty Hands
Poppy – “Empty Hands”

Parecia pouco provável que a cantora Poppy deixaria de ser um “experimento de nicho” para se tornar um dos nomes mais promissores do rock pesado mundial. Mas é exatamente isso que está acontecendo.

Embora acumule mais de uma década de estrada e indicações ao Grammy, Poppy vive hoje o seu melhor momento. No último ano, ela colaborou com Amy Lee (Evanescence) e Courtney LaPlante (Spiritbox) no bem-sucedido single “End of You” — além de abrir os expressivos shows do Linkin Park na América Latina.

Para este ano, a cantora tem na agenda uma extensa turnê mundial, incluindo datas ao lado dos já referidos Evanescence e Spiritbox. E há, é claro, o lançamento de “Empty Hands”, seu sétimo disco de carreira, que acaba de sair. Este é, até o momento, seu melhor trabalho, pois consolida sua identidade sonora como uma artista de rock e metal capaz de trafegar por diferentes vertentes.

O álbum transita pelo metal industrial, djent, rock alternativo e punk, flertando até com o black metal em uma fluidez que poucos artistas conseguem sem soar pretensiosos. Contribui para essa empreitada exitosa a repetição da parceria com o produtor Jordan Fish (ex-Bring Me the Horizon), também responsável por “Negative Spaces” (2024). Ele foi capaz de polir o som de Poppy, dando propósito ao caos.

O que antes era experimentalismo puro tornou-se marca registrada em faixas mais compactas e estruturadas. Músicas como “Public Domain”, que abre o disco, resgatam o deboche robótico dos primeiros trabalhos da cantora, mas agora com uma musculatura sonora que sustenta a ironia.

“Empty Hands” é um álbum sobre o descarte: de pessoas tóxicas, de expectativas da indústria e de máscaras conceituais. Em faixas como “Bruised Sky”, “Guardian”, “Unravel” e “Ribs”, Poppy traz à tona sentimentos de fúria expressos em gritos estridentes e riffs pesados, mas também em melodias vocais contagiantes que surgem nos refrões configurando um exercício de agressividade que não exclui a beleza. Há uma grandeza emocional nessas canções que evoca vulnerabilidade.

A faixa-título, “Empty Hands”, que encerra o disco, é possivelmente o momento mais pesado de sua discografia. É um exorcismo sonoro que simboliza que, para reconstruir, às vezes é preciso primeiro desmoronar por completo.

O resultado é que Poppy não precisa mais provar que consegue fazer metal; ela já é uma das principais representantes contemporâneas do estilo. “Empty Hands” não é apenas um álbum, é um manifesto de maturidade e independência.

Tracklist Oficial: “Empty Hands” (2026)

  1. “Public Domain” (4:00)
  2. “Bruised Sky” (3:41)
  3. “Guardian” (3:14)
  4. “Constantly Nowhere” (0:28)
  5. “Unravel” (2:55)
  6. “Dying to Forget” (3:33)
  7. “Time Will Tell” (3:27)
  8. “Eat the Hate” (1:50)
  9. “The Wait” (3:46)
  10. “If We’re Following the Light” (4:06)
  11. “Blink” (0:44)
  12. “Ribs” (3:39)
  13. “Empty Hands” (3:09)

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