Max Cavalera, o lendário vocalista do Sepultura e fundador do Soulfly, relembrou um dos momentos mais traumáticos de sua infância em uma entrevista a Metal Hammer, explicando como a morte prematura de seu pai se tornou o catalisador para sua jornada no metal.
Aos nove anos de idade, Max vivenciou um dos momentos mais tristes de sua vida quando seu pai sofreu um infarto enquanto pescava com a família em um lago próximo a São Paulo.
“Foi muito traumático porque fomos pescar neste lago – Interlagos – e ele começou a reclamar de dores no peito quando estávamos no barco. Levamos ele de volta para o carro e eu o segurei no banco de trás. Eu conseguia sentir o coração dele através do peito e ele faleceu ali mesmo, no carro”, recordou Max. Naquele instante, o garoto havia intuitivamente compreendido o que havia acontecido: “Lembrei de sentir, ‘Pronto. Ele se foi.'”
A percepção precoce de Max se provou correta. “Levaram-no para o hospital e, depois de uma hora, minha tia veio falar comigo e, antes que ela dissesse qualquer coisa, eu disse: ‘Eu sei. Ele se foi, não é?’ E ela disse: ‘Sim. Ele faleceu.’”
As mudanças na vida da família Cavalera
O impacto da morte se estendeu muito além da tristeza emocional. A família Cavalera, que havia desfrutado de uma vida de classe média confortável. “Tínhamos uma casa de praia em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e íamos para lá nos fins de semana. Éramos de classe média. Meu pai ganhava muito bem e tínhamos um carro bom e um apartamento bom”, contou.
Sem seguro de vida ou economias, a mãe de Max viu-se forçada a levar o menino e seu irmão Iggor de volta para Belo Horizonte. A infância dos dois havia terminado abruptamente. O cantor do Soulfly refletiu: “Minha mãe não sabia o que fazer. Meu pai não tinha seguro nem dinheiro guardado, então, de repente, ficamos sem nada. Minha mãe nos levou de volta para Belo Horizonte e moramos num barraco atrás da casa da minha avó. Perdemos tudo, inclusive a casa de praia. Era tipo: ‘Você tem que ir para a escola e arrumar um emprego. Esquece essas coisas de criança, você tem que ser homem agora, com nove anos de idade.’”
Max Cavalera conhece o metal
A adversidade extrema acabou moldando a personalidade artística de Max Cavalera que canalizou sua angústia para a música mais agressiva e desafiadora que conseguia encontrar. “Isso me empurrou em direção ao metal. Abracei o metal com tudo que tinha. Eu precisava dele como oxigênio. Eu precisava daquela verdadeira rebelião”, confessou Max.
Max e seu irmão Iggor foram alguns dos responsáveis por alavancar a cena de metal em Belo Horizonte. “Cerca de 20 de nós começamos a cena em Belo. Naquela época, não dava para comprar discos importados por lá, então todo fim de semana a gente escolhia um cara para pegar o dinheiro de todo mundo, ir de ônibus até São Paulo“, explica Max. Os dois garatos acabaram formando o Sepultura em 1984.
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