O terceiro disco do U2, “War”, disponibilizado no dia 28 de fevereiro de 1983, foi responsável por impulsionar a banda irlandesa nas paradas de sucesso do mundo todo com os singles “Sunday Bloody Sunday” e “New Year’s Day”, dois hinos anti-guerra. Seguindo o título, uma parcela das canções do álbum tratam da referida temática, mas nem todas.
Em uma entrevista concedida à revista NME, na época do lançamento, os integrantes explicaram a escolha a escolha colocar a guerra como tema central do trabalho. “As pessoas ficaram insensíveis à violência. Assistindo à televisão, é difícil dizer a diferença entre fato e ficção”, disse Bono.
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“A guerra parecia ser o tema de 1982”, respondeu Bono ao questionamento do jornalista do porquê do título. “Para onde quer que você olhasse, das Malvinas ao Oriente Médio e à África do Sul, havia guerra. Ao chamar o álbum de ‘War’, estamos dando às pessoas um tapa na cara e ao mesmo tempo fugindo da imagem acolhedora que muitas pessoas têm do U2“, afirmou.
O guitarrista The Edge, avaliou que “War” era um título pesado e direto, portanto, uma escolha arriscada da banda, já que as pessoas tendem a evitar temas espinhosos. “Não é algo seguro, então pode sair pela culatra. É o tipo de assunto que as pessoas podem realmente não gostam. Mas queríamos seguir um curso mais perigoso, voar um pouco mais perto do vento, então acho que o título é apropriado“, declarou.
O músico enfatizou, ainda que não tratava-se de um disco temático, havia diversidade na abordagem lírica, ao longo das dez faixas. “O título é uma chave para algumas das músicas, mas nem todas são sobre guerra: ‘Surrender’ é inspirada em Nova York; ‘Two Hearts’ é uma canção de amor; e ‘Drowning Man’ é uma canção tranquila”, explicou.

“War” não é um disco negativo
Apesar de tratar de um tema desolador, as músicas do terceiro disco do U2 mantiveram um discurso de esperança, segundo Bono, mesmo quando elas tratavam sobre a guerra especificamente e seus efeitos danosos. “Você tem que ter esperança. A música rock pode ser um meio muito poderoso e se você usar isso para oferecer algo positivo, então pode ser muito edificante. Se você usar suas canções para transmitir amargura e ódio, uma escuridão parece descer sobre tudo”, disse.
De acordo com o cantor, não era seu intuito trazer para o público uma perspectiva pessimista e enfatizou a necessidade de novas abordagens dos temas relacionados à política. “Não gosto de música a menos que tenha um efeito curativo. Não gosto quando as pessoas saem dos shows ainda se sentindo nervosas. Quero que as pessoas saiam de nossos shows se sentindo positivas, um pouco mais livres. As coisas podem parecer muito sombrias, mas sempre há esperança. Acho que é preciso desenvolver uma nova linguagem política para superar o que está acontecendo“, explicou.
Bono rejeitava classificar o trabalho como negativo. Para ele, “War” era um álbum movido pelo amor, no seu sentido altruísta. “Acho que o amor se destaca quando confrontado com a luta. Esse é provavelmente o poder do álbum em poucas palavras. O álbum é sobre a luta pelo amor, não sobre a guerra no sentido negativo. Eu estaria falhando nesta entrevista se disser que ‘War’ soa como um álbum sombrio, porque não é. Espero que seja um álbum edificante“, disse.

