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Review: Em disco autointitulado, Alter Bridge reafirma identidade

Napalm Records (2026) – Nota (1 a 5): 4
Alter Bridge - Alter Bridge
Alter Bridge – “Alter Bridge”

Ao observar a trajetória do Alter Bridge, é impossível não notar a sua resiliência Surgido das cinzas do Creed, em 2004, o grupo passou as últimas duas décadas construindo uma carreira sólida o suficiente para ser o trabalho principal de seus integrantes. Em seu oitavo trabalho — um álbum autointitulado — o grupo reafirma-se como uma das forças mais longevas e sólidas do rock moderno.

O que torna este lançamento notável é a manutenção da unidade, mesmo diante dos bem-sucedidos projetos paralelos de seus membros. Myles Kennedy lança discos solos ocasionalmente e se mantem firme em seu trabalho ao lado do guitarrista Slash. Mark Tremonti e seus demais colegas de banda encararam, ao longo dos anos, duas reuniões com Creed.

Em Alter Bridge, ouvimos uma banda que exibe total autoconfiança. Não há espaço para experimentações ou a necessidade desesperada de se reinventar. A banda opta por manter-se firme em sua identidade: um rock pesado com roupagem moderna e texturas contemporâneas, mas enraizado no hard rock clássico.

O álbum é um mostruário de apuro técnico. O instrumental é complexo e revela uma banda entrosada, onde cada músico se destaca individualmente sem ferir o conjunto. A “cozinha” formada por Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria) entrega uma base sólida e cheia de groove, permitindo que os riffs impactantes e as bases ferozes de Tremonti ditem um sentimento de urgência. Os solos, como de costume, são cortantes e melódicos, fogem do mero exibicionismo.

Estruturalmente, o disco é muito bem equilibrado. Ele oscila entre momentos de euforia e sequências mais reflexivas, com andamentos arrastados que dão peso e densidade à obra. Músicas como “Silent Divide”, “Rue The Day”, “Hang By A Thread”, “Scales Arre Failing” e a épica “Slave To Master” exemplificam essa capacidade de criar estruturas progressivas e expansivas.

No centro disso tudo está Myles Kennedy – provavelmente um dos melhores vocalistas do rock atual – que entrega performances expressivas e naturais. Sua voz não soa sobreposta ao som, ela parece uma extensão orgânica do instrumental, entregando a intensidade emocional necessária para as faixas.

Se há um ponto que pode dividir opiniões, é justamente a falta de inovação disruptiva. Para alguns ouvintes, o Alter Bridge pode soar repetitivo ou seguro demais, jogando dentro de sua zona de conforto ao não ampliar horizontes sonoros para novos públicos. É um disco que dificilmente converterá quem nunca gostou da banda, pois não desafia as fronteiras que eles mesmos estabeleceram.

Embora não busque novos caminhos, ele solidifica o que a banda faz de melhor: um rock vigoroso, técnico e emocionalmente honesto. O Alter Bridge parece ser o porto seguro criativo de Myles Kennedy, Mark Tremonti, Scott Phillips e Brian Marshall.

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