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Henry Rollins comenta tensão racial nos Estados Unidos e como isso o moldou politicamente

Vocalista explicou ao Time Out Croatia como os conflitos raciais afetaram sua visão de mundo desde a adolescência

Em uma nova entrevista, o veterano do punk rock, Henry Rollins, das bandas Black Flag e Rollins Band, falou sobre a tensão racial nos Estados Unidos e como ela ajudou a moldar sua visão política. “Me politizou desde muito cedo, o que, em retrospectiva, sou grato”, afirmou.

Henry Rollins, hoje com 62 anos, é oriundo Washington DC, e assistiu de perto, na adolescência, durante os anos 70, os conflitos raciais existentes na cidade. “A divisão racial era extrema em relação a quem morava onde. Se você fosse branco, havia alguns bairros e partes de DC, que são muito pequenas, nas quais você talvez não quisesse se arriscar”, disse o músico Time Out Croatia.

Ele enfatizou na sequência: “É assim que as coisas eram. Eu  Não gostei. Não gosto de nada que dê a vantagem a um racista. A tensão racial na cidade permitiu que alguém como meu pai dissesse: ‘Está vendo? Está vendo como essas pessoas são?’”

Hoje, ele consegue ter uma perspectiva de como isso afetou a sua visão de mundo, fez ele entender que o racismo gera uma justa revolta naqueles que o sofrem. Ele avalia que entendeu desde muito cedo que os negros eram vítimas. “Essa tensão me politizou desde muito cedo, o que, em retrospectiva, sou grato. O racismo que experimentei foi ser xingado, espancado, roubado, perseguido. Foi muito assustador. Não sou um cara durão, então saí facilmente em desvantagem. Isso não me fez odiar os negros, ciente das muitas falhas dos EUA. Até hoje, racismo, homofobia, misoginia são grandes problemas para mim”, explicou. 

O cantor destaca que as tensões diminuíram com o passar dos anos e que hoje, em 2023, ele percebe que existe mais igualdade em sua cidade natal. “Acho que as coisas talvez estejam um pouco mais niveladas em DC agora. Quando eu for lá para visitar, haverá algo como uma loja de discos que Ian MacKaye e eu iremos e está localizada em algum lugar que eu nunca estaria em 1975“, contou.

No fim, ele pondera: “Eu gostaria de pensar que as coisas estão melhorando. Acho que  sou um produto daqueles tempos e não seria o mesmo se tivesse sido criado em DC e tivesse 18 anos em 2023. Tudo isso é especulativo, então quem sabe.”

Novo livro de Henry Rollins

Henry Rollins está lançado lá nos Estados Unidos um novo livro intitulado “Sic”. O trabalho foi escrito durante a pandemia e é um reflexo do impacto que o isolamento social teve sobre ele. “Escrevendo nos últimos três anos e é informado por frustração, raiva, humor e se perguntando se as próximas turnês continuariam a ser canceladas”, explicou.

Para promover a obra, o músico está atualmente em turnê de palavra falada. “É sempre bom estar em turnê com um show todas as noites, mas desta vez, parece melhor do que nunca. Houve vários meses em que pensei que nunca mais faria shows. A última vez que estive na Europa foi em 2018. Dói saber que faz tanto tempo”, disse.

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