Max Cavalera utilizou suas redes sociais para celebrar o 30º aniversário de “Roots”, o icônico álbum do Sepultura que se tornou um marco no metal mundial ao fundir o gênero com ritmos tribais brasileiros. Em seu depoimento, o vocalista relembrou a jornada de criação do disco e dedicou o trabalho à esposa e empresária, Gloria Cavalera.
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“Quero dedicar este álbum ao amor da minha vida, Gloria Cavalera, sem a qual este álbum não existiria. Caramba, eu não existiria!”, afirma Max. “Uma empresária incrível, uma mãe incrível, uma pessoa incrível, minha parceira no crime. Nós fizemos tudo isso acontecer juntos”, acrescentou, sem mencionar o papel dos ex-colegas de Sepultura.
Max revelou detalhes sobre a gênese do álbum, que começou na cozinha de sua casa. A ideia central — gravar com uma tribo indígena no coração da Amazônia — surgiu de uma espécie de “visão” após o músico assistir a um filme. “Eu disse a ela que estava assistindo a um filme e tive uma espécie de sonho ou visão, e disse: ‘Temos que ir ao Brasil gravar com uma tribo brasileira no meio da Amazônia’. E ela brincou comigo, tipo: ‘Você não é o Michael Jackson, não podemos fazer isso’. Mas, enfim, ela fez acontecer”, explicou o músico com bom humor.
Apesar do ceticismo inicial, Max atribui a Gloria a realização do projeto. Foi ela quem articulou os contatos necessários e cuidou de toda a logística. “Ela entrou em contato com todas as pessoas certas, com os brasileiros que trabalhavam com os Xavantes, e fez tudo acontecer. Viajamos em aviões de hélice… foi uma jornada louca. Aqueles três dias que passamos com os Xavantes foram alguns dos dias mais loucos da minha vida, foi incrível.”
Na visão de Max, foi o trabalho de Gloria que permitiu a existência e a relevância que o disco tem até hoje. “É por isso que este disco é tão importante, e estou tão feliz de estar aqui celebrando. Estamos ambos aqui, somos parceiros no crime para sempre.”
O Impacto de “Roots”, do Sepultura
Lançado em 1996, “Roots” colocou o Brasil no mapa do heavy metal mundial e é considerado um dos álbuns mais influentes do gênero. O disco rendeu os singles: “Roots Bloody Roots”, “Ratamahatta” (faixa com participação de Carlinhos Brown), “Attitude” e “Ambushed”.
Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 2 milhões de cópias mundialmente, chegando à 27ª posição da parada Billboard 200, nos Estados Unidos.
O trabalho contou com a produção de Ross Robinson, que já havia trabalhado com nomes como Korn, Deftones, Fear Factory e W.A.S.P.. Foi o auge criativo da formação clássica do Sepultura e, simultaneamente, o começo do fim, já que Max Cavalera deixou o grupo no ano seguinte, durante a turnê.

