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Power UP do AC/DC: um disco improvável em um ano improvável

Leidseplein Presse, B.V. (2020) - Nota (1 a 5): 5
Foto: AC/DC – Power UP – Capa/reprodução

Não tem como começar esse review de outra maneira: um novo disco do AC/DC era algo inimaginável, afinal todo mundo sabe mais ou o que aconteceu com a banda nos últimos anos: um baterista preso, um vocalista se aposentando com risco de perder a audição, o baixista também anunciando sua aposentadoria e, por fim, a morte de um dos fundadores e alma da banda. Era para “Power Up” não existir, mas ele existe, está entre nós. Em 2020. Ano em que o mundo parou. E ele é bom. É o AC/DC de sempre. O mundo não precisa mais do que isso.  

“Power Up” é o décimo sétimo disco de estúdio do AC/DC e surgiu a partir de materiais compostos pelo falecido Malcolm Young nas seções de “Black Ice” (2008) e “Rock or Bust” (2014). É feito sob medida para os fãs. É lugar comum dizer que o AC/DC grava sempre mesmo disco, mas de fato é isso mesmo, só que é sempre diferente, saca?! Parece confuso, mas não é. Explico: existe charme em fazer sempre a mesma coisa, preservar as raízes e a identidade. Isso tem o seu valor.

Quando você ouve os primeiros acordes de “Realize” você sabe que é o AC/DC, que nada mudou. E isso tem um sentido, por mais que seja mais do mesmo é uma música nova do AC/DC . Vem carregada do que o AC/DC sempre foi: energia, eletricidade, rock and roll, só que com novas combinações, novas melodias dentro da mesma roupagem. Ninguém quer um AC/DC diferente, repaginado, inovando, experimentando. Nem fã, nem banda. Então, pra que?

Quando você tem ciência dos perrengues vividos pela banda nos últimos anos, o álbum ganha cores e significados. Por exemplo, a voz de Brian Johnson tem vigor, tem energia, é como se ele cantasse “esse lugar é meu, porra, ninguém vai me tirar daqui, vou morrer fazendo isso, sai fora Axl Rose”. Você sabe que são as últimas composições de Malcolm Young e você se sente grato por estar vivo e poder ouvi-las. Você aprecia com mais gosto.

O disco soa todo redondinho, não tem gordura, não tem música sobrando, mas tem os seus pontos altos: a abertura com a já citada “Realize”, emendando com “Rejection” e o primeiro single “Shot In The Dark”, depois o contagiante coro da melódica “Through The Mists Of Time” (que solo, que solo!), “Demon Fire” e “Systems Down”. Todos os clichês construídos ao longo de toda a história da banda estão ali: os riffs, os coros, os timbres.

É isso. Chegamos ao final de 2020 com um novo disco do AC/DC e ele vai na contra mão do que foi esse ano maluco: ele te faz esquecer os problemas, lembra um dia de sol na estrada, cerveja, aglomeração, suor, um estádio lotado. Energia. Eletricidade. Alta voltagem.

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