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“Van Weezer” é uma divertida homenagem aos anos 1980

Crush Music / Atlantic Recording Corporation (2021) - Nota (1 a 5): 4
Rivers Cuomo: Van Weezer é um disco com músicas para estádios
Foto: Weezer – Van Weezer | Capa/reprodução

Imagine que você é produtor de uma série como Stranger Things, obra da Netflix ambientada na década de 1980. Para construir o enredo de forma que ele consiga teletransportar o público para o período em questão, você precisa pesquisar referências e acrescentá-las na estrutura da narrativa. Esse processo criativo também se aplica à música e foi exatamente isso que o Weezer fez em “Van Weezer”, seu décimo quinto álbum de estúdio.

“Van Weezer” é um disco temático, ambientado em uma década muito específica e cultuada da história da cultura pop. Ele foi gravado com uma proposta bem clara e definida: homenagear o hard rock/heavy metal da década de 1980. A ideia surgiu depois que a banda fechou a sua participação na Hella Mega Tour juntamente com o Green Day e o Fall Out Boy. A banda sentiu que uma turnê de estádios pedia um álbum mais pesado, foi então que decidiram olhar para o passado.

Rivers Cuomo e cia fizeram então o exercício de compilar referências de hard rock e agregá-las a estrutura tradicional de suas músicas, que por si só, já deve muito a esse estilo. Que o Weezer possui influências da vertente em questão não é nenhuma novidade. Isso ficou mais evidente em “Maldroit” (2002) e em “Hurley” (2010), esse último, por exemplo, traz a música “Trainwrecks”, escrita juntamente com Desmond Child, compositor responsável por vários sucessos de Bon Jovi, Aerosmith, Kiss, entre outros.

The End Of The Game foi o primeiro single de “Van Weezer”

Nesse processo de coleta de referências para ambientar “Van Weezer”, Rivers Cuomo nos presenteia com solos de Eddie Van Halen (“Beginning of the end”, “She Needs Me”), riffs do Motley Crue (“The End Of The Game“) e de Randy Rhoads, falecido guitarrista de Ozzy Osbourne (“Blue Dream”). Ele também flerta com a vertente mais suja e agressiva do metal, o trash metal, ao emular Metallica e Slayer (“1 More Hit”) e entrega refrões do Bon Jovi (“I Need Some of That”). Os arranjos esbanjam guitarras dobradas em terças (como em “Hero”, “All the Good Ones”), algo típico nas canções de hard rock da década de 1980.

As letras, por sua vez, associadas a essa temática, nos fazem enxergar que Rivers sempre foi uma espécie de Jon Bon Jovi nerd (“Eu a conheci comprando chá gelado no minimercado da esquina/Ela estava com sede, eu estava com fome de começar”, dizem os versos de “All the Good Ones”, por exemplo). Em “Blue Dream” ele canta sobre como era ser jovem nos 1980 (“Estou em casa aqui/Neste sonho azul/Desde que descobri/Você não me quer/Escutando Aerosmith/Mais tarde, vou ligar para minha mãe/Agora que estou plugado em um amplificador Marshall/Posso ser tudo o que eu quiser).

O resultado de “Van Weezer” é muito positivo, é divertido de se ouvir, o disco entrega boas composições e mostra a banda em boa forma, quando comparado com os últimos trabalhos, especialmente “Pacific Daydream” (2017) e “Black Album” (2019). O álbum não traz qualquer ruptura com a sonoridade da banda, como foi o mais recente “Ok Human”, eles apenas reuniram de forma mais consistente elementos que permeiam toda a sua discografia.

“Hero” foi dedicada aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente durante a pandemia

É preciso, no entanto, frisar: “Van Weezer” é quase um cosplay, não foi feito para durar, é entretenimento, assim como Stranger Things, não é para responder as grandes questões da humanidade, é um álbum-meme, assim como foi o “Teal Album” (2019), ele dialoga com a efemeridade da internet, do mundo contemporâneo, e essa parece ser cada vez mais a especialidade do Weezer. Não por acaso, a banda aumentou a sua popularidade nos últimos anos, enfileirando nada menos que sete discos em sete anos. Que venha o próximo.

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